Reflexões de um cristão calvinista a respeito de quase tudo, principalmente assuntos religiosos, linguísticos e filosóficos, com o pressuposto de que a verdade existe, como norteadora da existência e dos sentidos, a qual deve ser buscada e compreendida.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Qual é o Segredo?

Tem sido sucesso de vendas o livro “O Segredo: a nova era para a humanidade”, de Rhonda Byrne, afinal de contas a proposta do livro é bem atraente: revelar um segredo protegido ao longo de anos que transformou radicalmente a vida de Platão, Galileu, Einstein, Lincoln etc., e deu a eles a possibilidade de dominar, controlar e utilizar a força deste mistério para administrar suas próprias vidas e construir sua história. O tal livro apresenta a “Lei da Atração”, segundo a qual existem vibrações misteriosas no universo que conspiram a nosso favor quando, mentalmente, projetamos certos sonhos e, em conexão com tais vibrações, nos tornamos capazes de modificar o curso de nosso destino e direcionar o fluxo positivo desta força para captação de energia a nosso favor. Segundo esta “lei”, “Nossa mente tem o poder de fabricar a realidade. O que você pensa você sente; o que você sente você vibra; o que você vibra você atrai para si. Somos seres vibracionais que interagem com o universo”. Enquanto ainda hoje a humanidade deseja revelar segredos e obter sucesso, a Bíblia já o fez muito antes. Paulo falou acerca de um Segredo já revelado: “... o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória...” (Cl 1.26,27). Eis o antigo mistério: Cristo entre gentios, trazendo a única esperança de salvação àqueles que crêem. O Segredo é Cristo, o Filho de Deus, ter morrido pelo seu povo escolhido, tornando-o mais que vencedor. Somente os que têm os olhos abertos pelo Espírito podem ver o verdadeiro Segredo (1Co 2.14,15). Aos demais, resta-lhes o conto de fadas de R. Byrne.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Cristo preenche todas as coisas

Manifestar sentimentos de perda é característica humana, porque põe à mostra o problema existencial do pecado. Sentimentos de perda são rachaduras em nossa alma causadas pela ferida de não termos aquilo que julgamos necessário ao nosso bem-estar. Por esta razão, nossos corações se ocupam com questões temporais que tendem a determinar aquilo que somos e por que existimos. Neste sentido, as perdas são terrivelmente sentidas e causam luto, frustrações, manifestam os frutos malévolos das depressões de alma. Surgem daí os substitutos existenciais: as opções por aquilo que supostamente preencherá nossa felicidade – a bebida, a droga, os relacionamentos sexuais ilícitos, a religiosidade vazia e até mesmo o uso do nome de Deus como paliativo mental para os temores. Isaías 53.11 afirma: “O meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades levará sobre si”. O apóstolo Pedro, no mesmo sentido, afirma que “[Jesus] carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe 2.24). Eis, portanto, um significado que oferece a verdade acerca da realidade humana e que contraria a nossa perspectiva temporal e material e nos submete a um mundo no qual os sentimentos de perda são radicalmente substituídos pela totalidade da obra de Cristo, ao retirar de nós a dor existencial e o único problema gerador de conflitos e frustrações, o pecado. Quando não há mais pecado, há paz de alma e de sentido. Se o abismo causado pelo pecado é preenchido pela extensão da cruz de Cristo, são eliminadas todas as possibilidades de lacunas em nossa existência. Cristo preenche todas as coisas (Cl 1.15-20). As supostas perdas significativas para nossa vida são re-significadas por uma vida cheia de realizações, cujo sentido principal é a glorificação daquele sobre quem tudo converge e é o restaurador de tudo, Cristo (2Co 5.18-21).

Abandonar o outro é abandonar Deus

O abandono do outro é uma terrível constatação nas relações humanas. Pais que não reconhecem a paternidade de seus filhos, que os maltratam, negam o dever da assistência de uma vida digna; mães que defenestram recém-nascidos pelas janelas e lançam-nos nos esgotos; cônjuges que se trocam e se descartam mutuamente, e se abandonam; amigos que traem outros amigos; irmãos que ferem seus irmãos; o tratamento de descaso do Estado para com os cidadãos, obrigando-nos a uma vida indigna, ferindo o bem-estar do cidadão, que é dever do Estado, e desconsiderando as necessidades estruturais básicas da vida humana. Estas e outras formas de abandono ferem nossa dimensão do humano, nossas referências éticas e eliminam nossa real perspectiva acerca do que é o homem e nos colocam diante de questões assustadoras que revelam nossa própria face e mostram nosso caráter como que um espelho diante do qual contemplamos nosso rosto pecaminoso e mau. Estes comportamentos contrários à dignidade revelam o pecado residente no ser humano, uma indelével marca de imperfeição, manifestada na relativização da verdade e na negação de Deus. Por esta razão, Deus mesmo entregou os homens a uma depravação mental reprovável para cometerem toda sorte de perversões e atentados contra Deus e, conseqüentemente, contra o homem, imagem e semelhança de Deus (Rm 1.28,29). Caim revelou esta dimensão perversa como conseqüência do pecado. O assassinato de Abel é a tipificação do abandono do outro, em razão da compreensão equivocada de quem Deus é e de quem o outro é (Gn 4.8-16). A morte de Cristo é a última perversão tipificada. Todavia, ao vencer a morte, Cristo assumiu a restauração de todas as coisas, mediante a qual o abandono do outro deve ser execrado das relações humanas e transformado na dignificação do ser humano como imagem de Deus (Cl 1.13-23).

O pão nosso de cada dia nos dá hoje

Alguns cristãos acham que o fato de freqüentarem o culto aos domingos e de ouvirem o sermão e de lerem a Bíblia somente neste dia já lhes garantem uma semana de vitórias e de ausência de tentações e provas. Esta é uma compreensão equivocada do ensino bíblico acerca da providência de Deus. Em vários lugares, a Bíblia nos ensina que Deus nos dá o suficiente para um dia, e que nos sustenta dia após dia, demonstrando, deste modo gradativo, sua misericórdia e sua proteção sobre nós. Desde a criação, Deus nos deu indicativos de que seu poder é demonstrado gradativamente, ao criar em seis dias o universo (Gn 2.1-3). Depois, com Moisés, Deus ordenou ao povo que não ajuntasse o maná para mais de um dia, exatamente para lhes ensinar que eles deveriam depender dele dia a dia (Êx 16.4). Mais tarde, o profeta Jeremias, nas suas lamentações, nos trouxe um profundo ensino acerca desta verdade, dizendo que as misericórdias do Senhor renovam-se cada manhã (Lm 3.22,23). Deus nos dá a misericórdia dia a dia, como um conta-gotas, devagar e gradativamente, a fim de percebermos suas ricas bênçãos e sua proteção infindável. Foi pensando assim que Cristo nos ensinou a orar dizendo: “... o pão nosso de cada dia nos dá hoje” (Mt 6.11). Cristo desejou que seus discípulos entendessem que o sustento de Deus é diário. Ele nos dá o suficiente para cada dia. O cristão não acumula poder para todos os dias. Não é por que você veio à igreja no domingo que está preparado para vencer os desafios da segunda-feira. Basta a cada dia o seu próprio mal (Mt 6.34). Por esta razão, devemos clamar a Deus, todos os dias, que nos dê de sua graça. Devemos buscar em sua Palavra o sustento para cada dia. Não nos enganemos: somente uma busca constante e diária garante ao cristão a vitória sobre as tentações e sobre as provas diariamente. Como afirmou Paulo, Deus não permite que sejamos tentados além de nossas forças (1Co 10.13). Sim! E é por isso mesmo que, a cada dia, ele nos dá forças suficientes para vencermos as provas específicas deste dia. Busque-o, portanto, diariamente!