Reflexões de um cristão calvinista a respeito de quase tudo, principalmente assuntos religiosos, linguísticos e filosóficos, com o pressuposto de que a verdade existe, como norteadora da existência e dos sentidos, a qual deve ser buscada e compreendida.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Auto-estima ou Alter-estima?

O ser humano é demasiadamente inclinado à busca de status social. O alvo é sentir-se bem, não importando se o que se vai fazer é certo ou errado. A consciência ética e a referência do outro não interessam; o importante é ser feliz. A questão que define a decisão é o meu ego, minha auto-estima. Entretanto, a Bíblia nos adverte severamente quanto a isso. Deus manda que consideremos os outros superiores a nós mesmos. Deus nos manda a um estado abaixo de nós mesmos e transforma a auto-estima numa alter-estima – ou estima do outro. O Senhor deseja que reconheçamos a posição de superioridade de nosso próximo em relação a nós mesmos e o tenhamos como referência prática de nossas atitudes. O outro é importante na minha decisão. Paulo disse: “Nada façais por partidarismo, ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2.3-4). Paulo nos desafia claramente naquilo que constitui o cerne do ser humano: negar a nós mesmos e desconsiderar nossos desejos por amor ao outro, se necessário. Ensina-nos a amar o outro em vez de desejar ser amados. David Powlinson afirmou que esse desejo que temos de ser amados em vez de amarmos aos outros é idolatria: “Falhamos em amar as pessoas porque somos idólatras que não amam a Deus nem ao próximo. Criamos e experimentamos afastamento de Deus e dos outros. O amor a Deus ensina-nos arrependimento da ‘necessidade de ser amado’”. Que Deus nos livre de auto-estimarmos em detrimento do nosso próximo. Que amemos uns aos outros, não de palavras, mas nas decisões práticas do dia-a-dia, substituindo nossos desejos pelos desejos do outro, num exercício de liberdade cristã.

Impulsionados por Deus

“O reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Mt 11.12). De que esforço Jesus está falando? Hebreus nos ajuda a entender isso: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé... Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue” (Hb 12.1,2,4). O principal esforço é procurar os pecados habituais, a ponto de, se preciso for, resistirmos até ao sangue por obediência a Deus. Vitória após vitória sobre cada pecado. E, na condição de libertos, vivos e regenerados, não sermos mais escravos do pecado (Rm 6; Tg 4.7). É essa luta terrível que o Senhor deseja que travemos. O objetivo? O reino dos céus, o próprio Cristo. Se lutarmos por nós mesmos, tendo nosso próprio bem-estar como alvo, seremos derrotados. Nosso objetivo é Cristo. Ele vale a pena: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fp 1.21). Por quê? “Porque dele e por ele e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36). Cristo nos desafia ao esforço máximo porque deseja que sejamos um com ele (Jo 17.24). Por isso, nos impulsiona, incita, disciplina, priva de bens e adverte para a santidade (Hb 12.11-13). O objetivo do Senhor é nos treinar para a guerra contra o pecado. Isso é muito doloroso, às vezes; mas, necessário sempre. Tornamo-nos fortes em Deus porque ele deseja nos preservar do mal. Esse desejo de Deus gera em nós a perseverança. Ela é tanto nossa como de Deus, que é o nosso impulsionador.