Reflexões de um cristão calvinista a respeito de quase tudo, principalmente assuntos religiosos, linguísticos e filosóficos, com o pressuposto de que a verdade existe, como norteadora da existência e dos sentidos, a qual deve ser buscada e compreendida.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Vivendo com sabedoria

Por que Deus nos instrui a pedirmos sabedoria? (Tg 1.5-8; Cl 1.9; 4.5). Qual é a razão pela qual devemos desejá-la mais do que o ouro e a prata e todos os outros bens? (Pv 3.13-15). É que a vida cristã é semelhante ao desenvolvimento de uma criança (Pv 4.18). Enquanto criança, nossa visão das coisas é limitada e não se tem a dimensão exata das relações humanas, das necessidades do corpo e da alma, das angústias e aflições que nos esperam. Vive-se num parque de diversões, vendo os carrinhos e as bonecas como as únicas representações da realidade, até o dia em que começamos a descobrir que a dor não é causada apenas por uma queda ou por uma chinelada do papai. As dores começam a ser outras: aquelas causadas pelos relacionamentos rompidos pela ausência da morte, as experiências de traição na família e entre os amigos, a separação de um filho que abandona o lar e se envolve com as drogas, a frustração profissional ou até mesmo a experiência de se viver num tipo de sequidão espiritual aparentemente sem causa. Então, é neste momento que a sabedoria mostrará o seu valor, porque ela não aceita ilusões confortadoras ou falsos sentimentos. Ela só admite a realidade e nos faz viver num mundo real, enfrentando seus desafios e suas perturbações. O Eclesiastes nos ensina que ser sábio é ver a vida como ela realmente é; negar suas aparências, sonhos inúteis e irrealidades e construir, a partir da realidade, a concepção de quem somos (Ec 11.5). Ser sábio é ter a dimensão exata de quem Deus é e de quem somos. Ser sábio é ver as ações de Deus como algo às vezes inexplicável segundo a nossa lógica e entender que é ele quem constrói a história e a desenvolve (Ec 3.11; 7.13; 8.17; 11.5). Portanto, para enfrentarmos alguns tipos de dores, o remédio não resolve, tampouco o dinheiro; as amizades ou influências pessoais são vãs (Ec 2.15,22; 5.15). Somente a sabedoria pode dar as respostas dos planos de Deus para nós; e, assim, acalmar nosso coração, fazer transbordar a alma e suprir as dúvidas (Pv 4.7,13; 8.34-36).

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