Reflexões de um cristão calvinista a respeito de quase tudo, principalmente assuntos religiosos, linguísticos e filosóficos, com o pressuposto de que a verdade existe, como norteadora da existência e dos sentidos, a qual deve ser buscada e compreendida.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Vivendo no mundo de Deus

A igreja romana medieval criou a separação entre o sagrado e o profano. Esta divisão causou uma falsa idéia do modo de viver do crente no mundo. Ela tirou do cristão a noção legítima de que existem muitas coisas no mundo que são boas e que podem ser usufruídas pelo crente. Deste modo, nossa cultura procura romper com tudo o que não parece sagrado e tende a classificar como tendência anti-Deus tudo o que não professa um vocabulário “evangélico”. Entretanto, a Bíblia não separa Deus de sua criação e de seu mundo (Is 40.12-31). Ela afirma que Deus é o senhor da História e de todas as coisas criadas. Não há nada no mundo que não seja do conhecimento e da ordenação de Deus, porque é ele quem dirige todas as intenções e deliberações humanas. Portanto, o mundo é o campo de todos os cristãos (Jo 17.1-26). É nele que devemos pregar a verdade de Deus e vivermos de modo santo. Nossa influência deve se manifestar nos diversos campos, como a política, a arte, a educação, a saúde etc, a fim de que as pessoas vejam nossas boas obras, nosso padrão de obediência, e, então, glorifiquem a Deus que está nos céus (Mt 5.14-16). Nosso Senhor Jesus não nos chamou para a reclusão, mas para a propagação. Deus não quer que escondamos dos outros ou que ignoremos o fato de que as pessoas nos vêem. Ele deseja que nossa presença seja marcante e estimuladora de adoração a ele (Fp 1.27-30).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Vivendo a vontade de Deus

As nossas experiências diárias nos colocam diante de situações em que nos perguntamos: qual é a vontade de Deus agora? O que Deus quer que eu faça nesta situação? Nem sempre temos uma resposta direta do Senhor na sua Palavra. Às vezes, é preciso pensar mais, refletir calmamente, considerar detalhes, a fim de que nossas decisões sejam acertadas. O cristão vive num mundo em que suas escolhas devem sempre refletir a vontade de Deus. Mas como fazer isso? A Bíblia nos diz que a Palavra de Deus é luz para os nossos caminhos (Sl 119.105). Na Palavra de Deus temos toda a vontade de Deus para o seu povo e tudo o que é necessário para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem. Mas e quando a Bíblia não é explícita em determinadas questões, quer pela dificuldade de compreensão do texto ou por que não é claramente exposto nela, o que fazer? (2Pe 3.16). Ora, Deus permite que tenhamos a prudência cristã aumentada em nós mediante a nossa relação diária com Deus, pela leitura da Palavra e pela oração, a fim de que saibamos agir sempre conforme sua vontade, iluminados pelo Espírito Santo, para a obediência a ele (1Co 2.9,10,12). Este relacionamento com Deus, pela leitura diária da Palavra e pela oração, permite que o nosso conhecimento das Escrituras aumente mais e mais e proporciona facilidade maior na integração de um texto com outros textos, permitindo-nos uma melhor compreensão do texto estudado (Sl 119.130). Por isso, é o nosso contato com as Escrituras que revela nossa vida vivida conforme a vontade Deus. Se erramos durante nossas decisões, se tropeçamos nas escolhas, isso pode ter a ver com o nível de conhecimento das Escrituras e de oração que desenvolvemos ao longo de nossa vida cristã. Quanto mais próximo de Deus, na Palavra e na oração, menos erros cometeremos, porque receberemos a prudência cristã vinda do Espírito Santo, para o entendimento da vontade de Deus, nas Escrituras (At 17.11,12). Busquemos com fervor este estilo de vida, e obedeçamos à vontade de Deus.

Vivendo com sabedoria

Por que Deus nos instrui a pedirmos sabedoria? (Tg 1.5-8; Cl 1.9; 4.5). Qual é a razão pela qual devemos desejá-la mais do que o ouro e a prata e todos os outros bens? (Pv 3.13-15). É que a vida cristã é semelhante ao desenvolvimento de uma criança (Pv 4.18). Enquanto criança, nossa visão das coisas é limitada e não se tem a dimensão exata das relações humanas, das necessidades do corpo e da alma, das angústias e aflições que nos esperam. Vive-se num parque de diversões, vendo os carrinhos e as bonecas como as únicas representações da realidade, até o dia em que começamos a descobrir que a dor não é causada apenas por uma queda ou por uma chinelada do papai. As dores começam a ser outras: aquelas causadas pelos relacionamentos rompidos pela ausência da morte, as experiências de traição na família e entre os amigos, a separação de um filho que abandona o lar e se envolve com as drogas, a frustração profissional ou até mesmo a experiência de se viver num tipo de sequidão espiritual aparentemente sem causa. Então, é neste momento que a sabedoria mostrará o seu valor, porque ela não aceita ilusões confortadoras ou falsos sentimentos. Ela só admite a realidade e nos faz viver num mundo real, enfrentando seus desafios e suas perturbações. O Eclesiastes nos ensina que ser sábio é ver a vida como ela realmente é; negar suas aparências, sonhos inúteis e irrealidades e construir, a partir da realidade, a concepção de quem somos (Ec 11.5). Ser sábio é ter a dimensão exata de quem Deus é e de quem somos. Ser sábio é ver as ações de Deus como algo às vezes inexplicável segundo a nossa lógica e entender que é ele quem constrói a história e a desenvolve (Ec 3.11; 7.13; 8.17; 11.5). Portanto, para enfrentarmos alguns tipos de dores, o remédio não resolve, tampouco o dinheiro; as amizades ou influências pessoais são vãs (Ec 2.15,22; 5.15). Somente a sabedoria pode dar as respostas dos planos de Deus para nós; e, assim, acalmar nosso coração, fazer transbordar a alma e suprir as dúvidas (Pv 4.7,13; 8.34-36).

Vivendo para a glória de Deus

A Bíblia afirma que “Todos [os seres humanos] pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Há duas afirmações decisivas aqui: a) todos pecaram – esta condição de pecado do homem, conseqüência da Queda no Éden (Gn 3.1-24), resultou, segundo a Bíblia, no estado de morte. A morte espiritual representa a separação definitiva entre Deus e o homem. O homem no estado da queda, ou de pecado, está separado de Deus. Esta separação faz com que o homem se torne “obscurecido de entendimento, alheio à vida de Deus, por causa da ignorância em que vive, pela dureza do seu coração” (Ef 4.18). Por natureza, os homens estão mortos (Ef 2.1-3) e foram banidos “da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Ts 1.9). Em decorrência deste estado de morte, Paulo afirma que os seres humanos: b) carecem da glória de Deus – contemplar com inteireza a glória de Deus é exclusividade dos que nasceram de novo. Os mortos não podem ver a glória de Deus. Somente os que são eleitos e regenerados podem ver a glória de Deus, pois os homens em estado de pecado “mudaram a glória do Deus incorruptível” (Rm 1.23). Estes servem as criaturas em vez de o Criador; trocam a verdade pela mentira; a justiça pela injustiça. Por esta razão, tais homens necessitam da glória de Deus. Buscar a glória de Deus é achar a vida. O propósito de Deus é encher a terra com a sua glória (Hc 2.14). Deus deseja que todas as coisas sejam feitas para a sua glória (Rm 11.36). Jesus Cristo veio e virá novamente para a glória de Deus (2Ts 1.8-10). Nossas obras devem glorificar a Deus (Mt 5.16). As respostas às nossas orações são para glorificar a Deus (Jo 14.13). Nosso viver diário deve ser, unicamente, para a glória de Deus (1Co 10.31). Portanto, meu irmão, nesta semana, viva para a glória de Deus. Seja o que for que você fizer, faça-o para a glória de Deus. Beba suco de laranja para a glória de Deus. Corrija o seu filho para a glória de Deus. Trate com carinho e amor a sua esposa, ou esposo, para a glória de Deus. Venha à igreja para a glória de Deus. Escolha suas palavras para a glória de Deus. Pague suas contas para a glória de Deus. Evangelize para a glória de Deus. Que ele mesmo nos abençoe!