Reflexões de um cristão calvinista a respeito de quase tudo, principalmente assuntos religiosos, linguísticos e filosóficos, com o pressuposto de que a verdade existe, como norteadora da existência e dos sentidos, a qual deve ser buscada e compreendida.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Independência ou Morte

“Independência ou Morte” caracterizou a política da liberdade assumida por D. Pedro I. O Brasil era centro político-administrativo de Portugal e as relações de subordinação eram tensas à medida que a independência se desenhava pelo desenvolvimento da terra brasileira e de sua política antirrecolonização. Os principais interessados na independência formaram o Partido Brasileiro, composto por aristocratas rurais, burocratas e comerciantes, nativos ou portugueses que tinham certos vínculos econômicos com o Brasil. D. Pedro, pressionado pelos ideais de liberdade e por suas tensões político-administrativas com Portugal – que o ameaçou prometendo enviar tropas para combater os dissidentes – especialmente após a decisão de Lisboa de anular a Assembleia Constituinte, convocada por D. Pedro em junho de 1822, encontrou apoio, a fim de que proclamasse a Independência do Brasil de Portugal. Assim, no dia 07 de setembro de 1822, o conselheiro de D. Pedro, José Bonifácio de Andrada e Silva, bem como sua esposa, D. Leopoldina, apoiaram, integralmente, o seu ato de declarar a colônia independente de Portugal. Às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, quando retornava de Santos, o futuro imperador do Brasil pronunciou a frase declarativa: “Independência ou Morte!”. Este ato significou um rompimento radical com Portugal e representou o nascimento de uma nova nação com seus projetos de emancipação. A história do Brasil nos ensina muitas coisas proveitosas. Dentre elas, o ideal de independência, que caracterizou libertação do status de escravização de ideais, projetos e pressupostos. Na vida espiritual, esta independência foi conquistada por Cristo, tirando-nos da tirania do pecado e da escravização de nós mesmos que, caídos e incapazes de buscar a Deus, mergulhávamos, cada vez mais profundamente, nas águas turvas da ignorância. A libertação foi proporcionada por Cristo, nosso representante e restaurador (Ef 2.1-10). Ao pagar a pena de morte da Queda (Cl 2.13,14), garantiu o acesso àqueles que foram incluídos pelo Pai no seu projeto de restauração de todas as coisas, capacitando-os, a partir de então, para serem embaixadores de Deus, por meio de Cristo, e proclamarem, com autoridade desta nova função, o reino de Deus numa terra estrangeira (2Co 5.18-21). Cada cristão é chamado para proclamar “independência ou morte”. Cada cristão deve representar o ideal do seu Reino e espargir a luz da nova vida e de uma perspectiva modificada em relação ao status quo defendido pela cultura caída e, portanto, anticristã nos seus pressupostos (Mt 5.13-16). O cristão não deve aceitar as propostas de escravização da mente engendradas pelo pecado nem permitir que qualquer lei seja estabelecida se estiver em contradição com os interesses do Reino que ele representa e defende. O cristão é chamado por Deus para desafiar as forças do colonizador deste mundo (1Pe 4.12-19). Aceitar, passivamente, as leis anticristãs é demonstrar covardia e os covardes não têm lugar no Reino de Deus (Ap 21.8). Ou lutamos por independência e pelo que acreditamos ser do Reino ou assinamos nossa própria sentença de morte. O risco de vida é constante para os defensores do Reino de Deus (Rm 8.36). A cada dia – embora Satanás tente nos iludir com as aparências, sugerindo que a pregação do evangelho é maior, que as igrejas estão enchendo ou que o culto precisa ser renovado para arrebanhar mais e mais pessoas – cresce o superficialismo na vida cristã – basta dizer o nome de Cristo para ser considerado evangélico –; o paganismo no culto – que distorce o culto e acrescenta elementos não-prescritos por Deus –; e o relativismo moral e cultural – que aceita e incentiva como normais práticas condenadas claramente pelas Escrituras. O cristão é chamado para a independência das coisas deste mundo. Não aceite subordinação pagã e iníqua. Lute pelo Reino que você defende. Não interessa a quem você tenha de combater. Se os interesses do Reino de Deus forem afrontados e outros forem colocados no lugar, rejeite-os e enfrente-os (Mt 5.12). Você tem do seu lado o seu Senhor (Ef 6.10-20).

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Anunciando as suas maravilhas (Sl 96.3)

O mundo moderno nega que é Deus quem construiu o caminho dos homens, quem escreveu a História e dirige os fatos. Ao contrário, o Humanismo encontrou no pecado humano o suporte para promover sua teoria de que o homem é dono de seu próprio destino. Esse pecado impede o homem de ver Deus e de conhecê-lo. Consequentemente, impede também que o homem viva para Deus, a fim de glorificá-lo como Senhor e sustentador de todo o universo. Em Isaías 6.8, vemos o profeta se dispondo ao serviço do Senhor. Ele disse: “Eis aqui, envia-me a mim”. O verdadeiro cristão se dispõe para obedecer a Deus, independente das circunstâncias que ele terá de enfrentar. Aquele que é iluminado pelo Espírito Santo reconhece a graça salvadora de Deus em Cristo Jesus, e é habilitado, na conversão, por Deus mesmo, para uma vida de serviço e de entrega total ao Senhor. A consequência dessa mudança é a visão clara de que o reconhecimento de quem Deus é gera em nós um santo temor capaz de nos mobilizar para uma vida de adoração e devoção. O que Deus estava dizendo para Isaías é que ele deveria anunciá-lo através da própria vida. Seus lábios deveriam estar prontos para anunciar o perdão concedido por um Deus completamente santo a um homem impuro, de lábios impuros. A brasa tocou os seus lábios, por isso ele agora é um novo homem, cujos lábios estão purificados. Em outras palavras, Deus queria a fidelidade de Isaías na transmissão de sua palavra. O profeta deveria anunciar a salvação, a restauração da vida e o perdão dos pecados. Aquele encontro com Deus nunca mais seria repetido. Foi um evento único, do qual Isaías jamais se esqueceria. Ele, a partir de agora, sairia pelo mundo pregando a mensagem de Deus. Precisamos anunciar Deus ao mundo. Anunciar Jesus Cristo a este mundo é devoção ao Deus soberano. O plano de Deus para o homem é de salvá-lo por meio da morte de Cristo na cruz e de levá-lo à adoração sincera e piedosa, tornando-o capaz de testemunhar pela vida e pela palavra sobre Cristo. Devemos anunciar a glória de Deus e as suas maravilhas (Sl 96.3). Devemos amá-lo de todo o nosso coração para que possamos contagiar as pessoas com a demonstração deste amor. Que Deus nos ajude a sermos luz no mundo (Mt 5.14-16). Amém!